A Marinha dos EUA oferece 3 opções para o futuro de sua força naval

Por muitos anos, o planejamento de construção naval da Marinha dos EUA tem sido caótico para dizer o mínimo, com planos e objetivos sucessivos divergentes, às vezes até contraditórios. O assunto também é alvo de acirrada oposição entre senadores e deputados republicanos, partidários de uma frota massiva, e seus homólogos democratas que desejam manter o orçamento de defesa sob controle. Para além das ambições por vezes fantasiosas apresentadas nos últimos anos, e dos muitos impasses que opuseram o Pentágono aos parlamentares americanos, particularmente no que diz respeito à retirada de certos edifícios, era portanto necessário que a Marinha dos EUA apresentasse uma estratégia de planejamento naval coerente e razoável, de modo a antecipar e manter sob controle o aumento do poder das forças navais de alguns países, em particular da China e da Rússia. E o plano apresentado esta semana pelo Estado-Maior da Marinha dos EUA responde a essa necessidade, ao mesmo tempo em que se insere no contexto particular do equilíbrio de forças políticas nos Estados Unidos.

Na verdade, o plano apresentado não se baseia em um, mas em 3 hipóteses, oferecendo aos legisladores americanos a possibilidade de arbitrar efetivamente, dentro de um determinado quadro, as orientações desta estratégia naval, bem como as ambições americanas neste campo, e assim colocá-los, de certa forma, à frente de suas próprias responsabilidades, além de partidárias e estéreis posturas que têm prejudicado esses esforços por anos. As duas primeiras hipóteses se baseiam em um esforço orçamentário constante sem um aumento significativo dos investimentos federais na construção naval além da compensação pela inflação, é verdade um parâmetro importante nos últimos anos do outro lado do Atlântico. A terceira hipótese assenta num esforço acrescido nesta área, com um aumento orçamental total de 75 mil milhões de dólares entre 2025 e 2045. Estes planos dizem respeito apenas a navios com tripulação, a estratégia visa equipar a Marinha dos EUA com 89 a 149 navios autônomos até 2045 independente desse esforço.

Com a aposentadoria dos cruzadores Ticonderoga até 2027 e aguardando os novos destróieres DDG(x), o DDG51 Arleigh Burkes será o único grande combatente de superfície da Marinha dos EUA por vários anos

As duas primeiras hipóteses oferecem um trade-off relativamente simples, pois a primeira conta com um maior número de navios de combate de grande porte em detrimento do formato geral da Marinha dos EUA, enquanto a segunda propõe uma redução do número desses navios de grande porte para financiar mais navios de médio porte e submarinos de ataque. Assim, a primeira hipótese propõe, para 2045, uma frota composta por 10 porta-aviões nucleares, 75 destróieres, 44 fragatas e LCS, 55 submarinos de ataque nuclear, 47 navios anfíbios, 46 navios logísticos e 29 navios de apoio. Na segunda hipótese, a frota é reorganizada com 10 porta-aviões (-), 70 destróieres (-5), 49 fragatas e LCS (+5), 60 submarinos de ataque nuclear (+5), 40 navios navios (-7), 51 navios logísticos (+5) e 29 navios de apoio, além de um primeiro novo submarino nuclear de mísseis de cruzeiro, para um total de 322 navios contra 318 na hipótese 1. De fato, a primeira hipótese favorece o poder de fogo, um contratorpedeiro carregando o dobro mísseis como uma fragata e um submarino de ataque nuclear combinados, mas um menor potencial de distribuição de força, enquanto o segundo propõe uma maior capacidade de distribuição, mas menor poder de fogo.


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